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Paraná

Paraná é o estado com maior número de municípios na política de famílias acolhedoras

O Paraná se destaca no cenário nacional como o estado com o maior número de famílias acolhedoras – dos 503 municípios do País que adotam esse model...

13/10/2022 09h55
Por: Conecta Oeste
Fonte: Secom Paraná
Foto: Rogério Machado/Arquivo SEJUF-PARANÁ
Foto: Rogério Machado/Arquivo SEJUF-PARANÁ

O Paraná se destaca no cenário nacional como o estado com o maior número de famílias acolhedoras – dos 503 municípios do País que adotam esse modelo para receber crianças e adolescentes em situação de risco social, 114 são paranaenses. Os números constam em levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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Mesmo com essa condição, Governo do Estado trabalha para ampliar este serviço, com apoio do Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas) e do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente (Cedca),

De acordo com a Secretaria da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), responsável pelas ações nessa área, nos últimos seis anos o número de cidades paranaenses que contam com famílias acolhedoras cresceu 208% – de 37 para as atuais 114.

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“Estamos trabalhando, num esforço conjunto com as prefeituras, o Judiciário e a sociedade civil organizada, para ampliar o número de Famílias Acolhedoras. O que toda criança quer, num momento de fragilidade, de dor, de tristeza, ou de agressão, é ter o apoio e o cuidado que só uma família pode dar”, afirma o secretário Rogério Carboni.

Chefe do Departamento de Política para Crianças e Adolescentes da Sejuf, Juliany Santos explica que o Acolhimento Familiar é a forma prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como prioritária. “Essas famílias previamente cadastradas, selecionadas e capacitadas acolhem crianças e adolescentes em situação de risco social, garantindo assim o direito à convivência familiar e comunitária, trazendo benefícios em seu desenvolvimento, reduzindo os impactos negativos em decorrência do acolhimento”, destaca.

A chefe do Departamento de Assistência Social da Sejuf, Renata Mareziuzek, ressalta a integração em prol desse serviço. “Esse resultado é fruto da soma de esforços entre conselhos, governos municipais, Estado e Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), tanto na capacitação das famílias e gestores municipais quanto na viabilização dos recursos necessários para implementação do serviço”, completa.

NA PRÁTICA– A empresária Cleonice Schuck, prefeita de Fernandes Pinheiro, atua há 15 anos como acolhedora, ajudando a desafogar as instituições da região. Segundo ela, cada momento da vida das crianças é marcante e a família passa por todos eles, juntos. “No primeiro acolhimento, ficamos 52 dias com um menino dando toda a atenção necessária, medicamentos, vestimenta, alimentação e, acima de tudo, muito carinho e amor”, disse.

Com apoio da família, Cleonice cuidou de muitas crianças, inclusive bebês, até a resolução jurídica de como se encaminharia o acolhido, que por muitas vezes pode ser a adoção ou o retorno para família de origem. “Quando acontece a adoção, a gente fica momentaneamente triste, mas predomina o sentimento de missão cumprida ao saber que essa criança terá uma nova oportunidade e em um local com segurança”, relata.

A empresária conta que, muitas vezes, as crianças acolhidas vêm com a saúde fragilizada, incluindo casos de desnutrição, e o acolhimento familiar é o melhor caminho para a recuperação. “Um bebê que acolhemos estava com um problema de pele, e com a medicação correta, em algumas semanas se recuperou, se desenvolveu bem. Ela ficou saudável, muito bonita”, afirma.

Quando assumiu o cargo de prefeita em 2016, Cleonice buscou formalizar a implantação da modalidade no município. “Nós cadastramos as famílias, fizemos treinamento e capacitação, inclusive para a equipe multidisciplinar que acompanha as famílias, e deixamos a estrutura pronta para realizar os acolhimentos necessários”, conta. Atualmente na cidade existem quatro famílias habilitadas para fazer o acolhimento, e duas crianças acolhidas.

CRESCER EM FAMÍLIA– O Cedca aprovou a liberação de R$ 5 milhões do Fundo Estadual para a Infância e Adolescência (FIA) ao Programa “Crescer em Família”, do Governo do Estado, voltado para a implantação de famílias acolhedoras. Em 2020, o Cedca fez nova liberação de recursos ao projeto, no valor de R$ 960 mil, desta vez para a manutenção do serviço de acolhimento familiar. Do total de 16 cidades que estão aptas a receber o recurso, 13 já efetivaram a adesão.

“O acolhimento institucional em abrigos e casas lares ainda representa a maioria do atendimento à criança e ao adolescente que, infelizmente, precisou ser afastado da família, o que exige mais atenção do Poder Público, pois os cuidados não são individualizados como se vê no ambiente familiar, o que impede a formação de vínculos afetivos estáveis e duradouros, podendo afetar o desenvolvimento físico, social e emocional do acolhido”, acrescenta Juliany.

No Paraná, 17,1% das crianças e adolescentes em situação de risco social, como negligência, abandono e abusos, são atendidas pelos serviços de acolhimento familiar, enquanto o percentual do Brasil é de 6%, segundo dados do CNJ.

“No Paraná, contamos também com a lei que instituiu a Semana da Conscientização sobre o Acolhimento Familiar, importante ação para que possamos mobilizar cada vez mais a sociedade para os cuidados e proteção da criança e do adolescente”, completa a chefe do Departamento de Política para Crianças e Adolescentes da Sejuf.

REPASSES PERMANENTES– Além de recursos extraordinários do FIA/PR por meio do Cedca, os serviços de acolhimento familiar no Paraná contam com o cofinanciamento permanente do governo estadual por meio do Fundo Estadual de Assistência Social (FEAS), bem como do aporte do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).

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Ao todo são repassados cerca de R$ 8 milhões por ano, tanto para o acolhimento familiar quanto para o acolhimento institucional. Dos 99 municípios que atualmente recebem o recurso, 32 executam a modalidade família acolhedora.

Para fortalecer esse modelo, o Departamento de Assistência Social da Sejuf promove encontros estaduais sobre os serviços de acolhimento familiar, com a presença de prefeitos, gestores e servidores municipais, conselhos tutelares e membros do judiciário.

Também ocorreram cursos de capacitação para mais de 200 profissionais dos 100 municípios que iniciaram a oferta do serviço, além de lives de orientação e capacitação, disponíveis no YouTube e que já contam com mais de mil visualizações. Confira a fase 1 e a fase 2 .

“O Governo do Estado realiza essa sensibilização dos gestores municipais e da sociedade paranaense sobre a importância da Família Acolhedora em diversas oportunidades, para ampliar cada vez mais a oferta deste importante serviço que resguarda os direitos da criança e do adolescente”, destaca Renata.

GUIAS– A Sejuf também está entregando os volumes impressos do Guia de Acolhimento Familiar aos 114 municípios paranaenses que possuem o serviço implantado. O material foi elaborado pela “Coalizão pelo Acolhimento Familiar no Brasil”, um grupo que reúne organizações da sociedade civil que têm relação com o serviço.

Nesta semana foi a vez dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Ao todo foram entregues, tanto para os órgãos gestores quanto às instituições envolvidos com a capacitação e a coordenação das famílias, 29 guias para 13 cidades: Agudos do Sul, Almirante Tamandaré, Araucária, Contenda, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Itaperuçu, Lapa, Mandirituba, Piên, Quatro Barras, Rio Negro e São José dos Pinhais.

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