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Negócios

Cenário econômico favorece a renda fixa, investimento do ano

O cenário de juros altos e desinflação favoreceu o investimento em renda fixa; as debêntures tiveram bom desempenho

16/11/2022 18h20
Por: Conecta Oeste
Fonte: Agência Dino
freepik
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O cenário de juro alto combinado com a queda da inflação fez das aplicações em renda fixa a modalidade de investimento mais procurada no ano. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) mostram que a captação líquida da renda fixa atingiu quase R$ 100 bilhões, no acumulado do ano, até o mês de setembro. Segundo a associação, esse tipo de investimento representa hoje quase 40% do patrimônio líquido da indústria de fundos, contra 35% em março de 2021, quando teve início o ciclo e elevação da taxa básica de juros.

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Renda fixa é a categoria de investimentos em que o cálculo da remuneração é conhecido a priori. Ou seja, desde o início são conhecidos o prazo, a forma de pagamento e como são calculados os juros. A caderneta de poupança, tão conhecida dos brasileiros, é uma aplicação desse tipo. A renda fixa oferece aos investidores maior previsibilidade, além, é claro, do rendimento. E não é por acaso que atraíram tanto este ano, foi a combinação de juros mais altos com um processo de desinflação.

A subida da taxa básica de juros, a Selic, controlada pelo Banco Central, interfere diretamente nas demais taxas do mercado. É o que explica Lucio Silva, economista do Grupo Euro 17: “A Selic é a referência para todo o sistema financeiro. Quando a Selic aumenta, as demais taxas vão no mesmo sentido, e isso vale para as taxas que remuneram os investimentos, sejam títulos do governo ou da iniciativa privada”. No Brasil, em março de 2021, o Banco Central iniciou um ciclo de aumento da Selic, que hoje alcança 13,75% ao ano.

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Quanto à inflação, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passou de 12%, no acumulado de 12 meses, no último mês de abril, para 7% em setembro e deve encerrar o ano próximo a 5,5%, segundo as projeções do Relatório Focus do Banco Central. Com isso, quem aplicou para receber uma taxa de juros fixa, viu seu rendimento real, descontado da inflação, aumentar.

 

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Cenário para 2023

Para 2023, o cenário de juros altos e menor inflação deve permanecer. Segundo Lúcio Silva, “Como a convergência da inflação para a meta continua a ser um desafio importante, o Banco Central deverá manter a Selic elevada, diminuindo aos poucos somente a partir do segundo semestre. Com isso, a inflação recua ainda mais, talvez para menos de 5%”.

Outro fator que contribui para o controle da inflação é o nível de atividade econômica. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional, a economia mundial deve crescer menos no ano que vem, 2,7% contra 3,1% em 2022. Isso favorece a contenção dos preços das commodities agrícolas e minerais no mercado internacional. No Brasil, já aparecem sinais de acomodação da atividade econômica, como a queda no IBC br, indicador do Banco Central que mede a atividade, ou a redução do Índice de Antecedente de Emprego, da Fundação Getúlio Vargas.

O principal desafio é estabelecer uma política fiscal equilibrada. Segundo o economista, para acomodar promessas de campanha, como o Auxílio Brasil de R$ 600,00, e ainda lidar com despesas que foram adiadas, o governo deverá pedir ao Congresso uma autorização para gastar além do que prevê o teto de gastos. E é muito importante que uma nova regra fiscal seja definida, de modo a reduzir as incertezas quanto ao equilíbrio das contas públicas ao longo dos anos.

Debêntures

Dentro do segmento da renda fixa, vale destacar a emissão de debêntures. Títulos emitidos pelas empresas para a captação direta de recursos junto aos investidores. Segundo a ANBIMA, as debêntures representaram mais da metade dos recursos obtidos no mercado de capitais no primeiro semestre do ano, mais de R$ 113 bilhões. Esses títulos permitem às empresas acessar recursos para viabilizarem seus planos de expansão ou modernização. Para quem busca aplicar seu dinheiro, é uma oportunidade de diversificação da carteira de investimentos.

Outros elementos de renda fixa que tiveram bom desempenho no primeiro semestre são os instrumentos de securitização: como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, que aumentaram em volume, atingindo R$ 16,1 bilhões, e os Certificados de Recebíveis Imobiliários chegaram a R$ 14,8 bilhões. Os dados são da ANBIMA. A securitização é o processo pelo qual são criados títulos negociáveis que têm como lastro créditos a receber.

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