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Carreira: quais as conquistas e desafios das brasileiras?

O Brasil tem mais de 30 milhões de empreendedoras; empresária traça um panorama e comenta os principais desafios e conquistas das mulheres com a vi...

15/12/2022 18h55
Por: Conecta Oeste
Fonte: Agência Dino
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Brasil celebrou o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino no último dia 19 de novembro. A data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2014 para chamar a atenção para o papel da mulher no ambiente empreendedor, e ganhou destaque nas últimas semanas graças aos resultados alcançados pelas empresárias do país, que já são mais de 30 milhões.

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Segundo dados do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) 2020, monitoramento do empreendedorismo global realizado em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e com o IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), o número de mulheres à frente do próprio negócio no país corresponde a 48% do total de 52 milhões de empreendedores.

Aliás, mais da metade (55%) das empresárias do Brasil iniciaram seus negócios nos últimos três anos, em plena pandemia de Covid-19, segundo indicadores da RME (Rede Mulher Empreendedora). Informações presentes no relatório Global Gender Gap Report 2022, do FEM (Fórum Econômico Mundial) também demonstram que o empreendedorismo feminino no país avançou durante a crise sanitária, passando de 41% entre 2019 e 2020. Para os homens, o crescimento foi de 22%.

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De forma síncrona, um balanço conduzido pelo LinkedIn - rede social de negócios, com base nos usuários da plataforma -, publicado no relatório do FEM, também indicou que, considerando 22 países analisados, o número de mulheres e homens que passaram a se identificar como empreendedores aumentou 45% e 32%, respectivamente. 

Para Cristina Boner, presidente do conselho fiscal do grupo Drexell, considerando datas como o Dia do Empreendedorismo Feminino e o Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, deve haver uma reflexão sobre o contexto atual das mulheres e os desafios enfrentados por elas, mas também de reconhecimento de suas conquistas e avanços históricos e sociais.

Entre desafios e conquistas

Para Boner, o avanço do empreendedorismo feminino é um dos principais feitos alcançados pelas brasileiras: “Temos muitos casos de sucesso de mulheres que conquistaram seu espaço por meio do empreendedorismo, mesmo em maio a um mundo ‘Vuca’ [Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity, na sigla em inglês - Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, na tradução literal]”.

Os quatro conceitos citados pela empresária foram empregados pelo U.S Army War College na década de 90 para explicar o mundo no cenário pós-guerra. Hoje, o termo vem sendo relacionado para designar situações inesperadas.

Na visão de Boner, mesmo com todo o cenário positivo de crescimento, o preconceito é um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras no Brasil. “O primeiro ponto é a discriminação no ambiente de trabalho e a diferença de oportunidades em relação aos homens”.

Com efeito, 74% das brasileiras acreditam que o preconceito e a discriminação ainda são barreiras na hora de buscar novas oportunidades de trabalho. A informação integra a terceira parte da Global Learner Survey, realizada pela Pearson em parceria com a Morning Consult, que entrevistou seis mil mulheres em seis países (Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, México, Índia e China).

Ademais, 65% das entrevistadas afirmaram que a discriminação de idade é o maior problema a ser combatido. Paralelamente, dados da FGV (Fundação Getulio Vargas) revelam que as mulheres ganham, em média, 19% menos que os homens para exercer a mesma função.

Por outro lado, para a presidente do conselho fiscal do grupo Drexell, “é necessário considerar as conquistas já alcançadas pelas brasileiras, como as leis voltadas para proteção da mulher, o direito à educação e ao voto”. Dentre as principais leis mencionadas por Boner, ganham destaque: a Lei Maria da Penha (11.340/2006), a Lei Carolina Dieckmann (12.737/2012), a Lei do Minuto Seguinte (12.845/2013), a Lei Joana Maranhão (12.650/2015) e a Lei do Feminicídio (13.104/2015).

Quanto ao acesso à educação, as brasileiras conquistaram o direito de ir além do ensino fundamental em 1827, com a promulgação da Lei Geral em 15 de outubro. O direito de ingressar em uma universidade viria apenas 52 anos depois, no dia 19 de abril de 1879, quando o imperador D. Pedro II aprovou uma lei autorizando a presença feminina nos cursos superiores.

Já o direito ao voto, por sua vez, foi concedido às mulheres em 1932 por meio do Decreto 21.076, que criou a Justiça Eleitoral, pelo então presidente Getúlio Vargas. Apesar disso, o Brasil ocupa a 142ª posição do ranking de participação de mulheres na política nacional em uma lista internacional com 192 países.

Segundo o levantamento, realizado pela União Interparlamentar - organização internacional responsável pela análise dos parlamentos mundiais -, as brasileiras ocupam 15% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 12,4% do Senado Federal.

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