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Produtoras de seda do Paraná são premiadas com viagem para a França

Diovane Plep Machado Moro e Maria Rosa Pires de Sousa foram as vencedoras do Concurso Seda Paraná, iniciativa inédita promovida pelo Governo do Es...

12/08/2025 21h20Atualizado há 10 meses
Por: Conecta Oeste
Fonte: Secom Paraná
Foto: Reprodução/Secom Paraná
Foto: Reprodução/Secom Paraná

As agricultoras Diovane Plep Machado Moro e Maria Rosa Pires de Sousa moram em Palmital e Godoy Moreira, mas já podem começar a arrumar as malas para carimbar o passaporte na França. As produtoras de bicho-da-seda foram as vencedoras do Concurso Seda Paraná, iniciativa inédita promovida pelo Governo do Estado para valorizar as mulheres envolvidas na cadeia da sericicultura. Como prêmio, elas vão representar o Paraná no Festival da Seda de Lyon, principal evento do setor, que acontece em novembro na cidade francesa.

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“Nunca imaginei que chegaria aqui, só por estar entre as 10 finalistas já era uma alegria. Então imagina ganhar, é uma felicidade enorme, nunca tinha passado por essa alegria na minha vida. Agora vou poder ver o quanto o nosso trabalho é valorizado”, afirmou Diovane, que começou na atividade junto com o pai, há 13 anos.

“A emoção é muito grande, jamais imaginei que ia chegar até aqui. A hora que vi meu nome nem acreditei, deu uma vontade de chorar e de gritar”, disse Maria Rosa, há dois anos na produção.

Ao todo, 430 produtoras de 80 cidades se inscreveram no concurso, promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento e o Gabinete da Primeira-Dama. Entre estas, 10 finalistas foram selecionadas. As vencedoras foram conhecidas nesta terça-feira (12), em evento no Palácio Iguaçu. Os principais critérios para a seleção foi o volume de produção de casulos de primeira por área de amoreira – árvore cujas as folhas são utilizadas para a alimentação do bicho-da-seda – e o teor da seda produzida.

A primeira-dama Luciana Saito Massa ressaltou que a iniciativa também busca incentivar a produção de seda no Paraná, já que é uma atividade rentável e sustentável, principalmente para as mulheres do campo. “Tive a oportunidade de visitar o Festival da Seda e, ao ver de perto esse trabalho, pensei que as produtoras paranaenses também deveriam participar desse evento. Porque é o trabalho diário delas que faz com que a seda do Paraná seja transformada em verdadeiras obras de arte. É orgulho ver que as mulheres estão à frente dessa produção”, disse.

O Paraná é o maior produtor de fio de seda do Brasil, responsável por 86% da produção nacional, que é exportada a países como França, Itália, Índia, Japão e China. A matéria-prima paranaense é utilizada inclusive por grandes grifes, como a francesa Hermès. No ano passado, o Valor Bruto da Produção (VBP) atingiu R$ 44,4 milhões, com a produção de 1,35 mil toneladas de casulos e 2.460 hectares de amoreiras plantadas.

“A principal característica desse concurso foi dar visibilidade a esse setor tão importante da economia paranaense, principalmente porque a produção da amora e do bicho-da-seda é feita por pequenos produtores, que moram e produzem em sua propriedade e que têm a possibilidade de ter uma renda melhor”, ressaltou o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes. “Por isso, o projeto da seda é fundamental, porque com a melhora da qualidade da seda, podemos colocar esse produto em muitos mercados do mundo e com alto valor agregado”.

A presidente da Associação Brasileira da Seda (Abraseda), Renata Amano, explicou que a seda paranaense é valorizada por sua qualidade, principalmente em função da produção sustentável. “A seda paranaense é muito reconhecida, mas precisamos crescer, porque infelizmente ainda não produzimos o suficiente para atender o mercado internacional”, explicou. “Por isso a importância de valorizar esse trabalho e ter essas produtoras em Lyon, visitando o atelier da Hermès e as fábricas onde o fio que elas produzem é transformado em itens de luxo”.

AGRICULTURA FAMILIAR– O trabalho de criação de bicho-da-seda é feito principalmente por agricultores familiares, envolvendo cerca de mil famílias de 184 cidades paranaenses. A sericicultura tem se mostrado uma importante alternativa de diversificação de renda, com as mulheres desempenhando um papel central nesse processo.

É o caso de Diovani, que acompanha desde os 12 anos de idade a criação de bicho-da-seda. A atividade, que começou com o pai, agora é dividida com o marido. “A gente mexe só com isso, se dedica, é um trabalho tranquilo. Mas agora que a gente vai até a França, vai ser a oportunidade para amadurecer e crescer com a cultura”, destacou. “E eu digo para todas as mulheres que continuem firme, com fé e coragem”.

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Maria Rosa viu na sericicultura a oportunidade de trabalhar de casa e acompanhar o crescimento do filho. “Acordo todo dia cedo, corto amora, alimento os bichos e ainda tenho tempo para cuidar da casa. Meu pai mexeu antigamente com bicho-da-seda e eu escolhi retomar porque estava dando renda e eu teria tempo de ficar com meu filho e cuidar do serviço de casa. Não precisava sair para trabalhar fora e podia ver meu filho crescer”, afirmou. “Estou muito feliz, acredito que fui uma das premiadas porque cuido com muito amor, porque assim você pode evoluir cada vez mais.

SEDA PARANÁ– O Governo do Paraná desenvolve o programa Seda Paraná, que tem como objetivo promover e estimular a produção de seda, valorizando especialmente o trabalho das mulheres na sericicultura. O programa busca o fortalecimento da atividade, com apoio aos produtores e o redesenho do processo de produção e fabricação, envolvendo pesquisas para melhorar a produtividade.

O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance, explicou que a proposta é garantir um ambiente para dar continuidade à atividade no Estado. “O Paraná produz hoje uma das melhores sedas do mundo e quer manter isso. Por isso fazemos um esforço para manter acesa essa chama, já que envolve famílias de agricultores que têm na seda sua atividade principal, que gera renda e qualidade de vida”, afirmou.

PRESENÇAS– Participaram da solenidade o chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega; os secretários estaduais da Fazenda, Norberto Ortigara; e da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani; o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette; o diretor de Relações Internacionais e Institucionais da Invest Paraná, Giancarlo Rocco; produtoras e representantes do setor.

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