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Icaraíma: Polícia mapeou 22 bunkers na fazenda onde corpos foram enterrados

O local é o mesmo onde foram encontrados os corpos dos quatro homens desaparecidos e a caminhonete Fiat Toro usada pelas vítimas.

21/10/2025 09h19
Por: Conecta Oeste
Fonte: Conecta Oeste/CGN/OBemdito

A Polícia Civil do Paraná identificou ao menos 22 estruturas subterrâneas, entre bunkers de alvenaria e esconderijos improvisados, durante as buscas na Fazenda Jundiá, em Icaraíma, no Noroeste do Estado. O local é o mesmo onde foram encontrados os corpos dos quatro homens desaparecidos e a caminhonete Fiat Toro usada pelas vítimas.

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As estruturas foram mapeadas por equipes da Delegacia de Polícia Civil de Icaraíma, que, desde agosto, conduzem uma das investigações mais complexas da região. Segundo o delegado Tiago Andrade, foram identificados cinco bunkers de alvenaria e cerca de 17 esconderijos de menor porte.

“Há uma diferença entre eles. O bunker é uma construção de alvenaria, com base reforçada. Já os esconderijos são estruturas mais simples, feitas com lonas, madeira e terra. Ao todo, localizamos cinco bunkers e aproximadamente 17 esconderijos na fazenda”, delegado Tiago Andrade

Esses pontos foram catalogados e georreferenciados durante as operações realizadas por agentes da Polícia Civil, com apoio da Força Nacional e da Polícia Militar Ambiental. O levantamento visa compreender a dimensão das estruturas e sua relação com os crimes investigados, incluindo o desaparecimento e a execução de quatro homens, ocorridos no início de agosto.

Local das descobertas
A Fazenda Jundiá, situada no distrito de Vila Rica do Ivaí, tornou-se o centro das atenções desde que, durante escavações em setembro, a polícia localizou uma Fiat Toro branca enterrada em uma das estruturas subterrâneas.

O resgate do veículo durou mais de dez horas e revelou um cenário de violência: o automóvel estava perfurado por disparos de arma de fogo, com vestígios de sangue e pertences das vítimas, entre eles um boné de Diego Henrique Afonso, de 39 anos.

Dias depois, em uma área de mata da mesma fazenda, foram encontrados os corpos de Diego Henrique, Rafael Juliano Marascalchi, de 43 anos, Robishley Hirnani de Oliveira, de 53 anos e de Alencar Gonçalves de Souza, de 36 anos, que eram os quatro homens desaparecidos desde 5 de agosto.

As vítimas haviam viajado do interior de São Paulo até Icaraíma para cobrar uma dívida relacionada a terras. Após o encontro com os suspeitos, Antônio Buscariollo, de 66 anos, e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22 anos, ambos foragidos e suspeitos do crime, o grupo não foi mais visto.

Mapa de um território sob investigação
A descoberta dos bunkers e esconderijos ampliou o escopo da investigação. De acordo com as Forças de Segurança, o trabalho agora se concentra em analisar o uso e a função dessas estruturas, que permaneciam camufladas sob a vegetação nativa da propriedade.

“É um trabalho de mapeamento minucioso. Cada ponto foi identificado, catalogado e fotografado. São locais de difícil acesso, muitos deles escondidos em áreas de mata fechada”, Polícia Militar do Paraná

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As equipes permanecem na região, acompanhadas de peritos criminais e técnicos ambientais, para realizar novas escavações e perícias. A Polícia Civil também investiga se outras propriedades vizinhas apresentam construções semelhantes.

Multas e área embargada
Além da investigação criminal, a Polícia Militar Ambiental autuou a fazenda em R$ 7,5 milhões por danos ambientais que totalizam 278 hectares de área degradada, incluindo reserva legal e mata de preservação permanente.

Foram constatados pisoteio de gado, supressão de vegetação e assoreamento de nascentes. A propriedade foi embargada, e proprietários e arrendatários notificados. A corporação, no entanto, ressalta que as autuações ambientais não implicam ligação direta dos responsáveis com o crime sob apuração da Polícia Civil.

Próximos passos
Com as novas descobertas, a investigação entra em uma fase de consolidação das provas materiais. A polícia pretende cruzar dados topográficos, imagens de drones e laudos periciais para compreender como as estruturas foram construídas e quem teve acesso a elas.

Enquanto isso, os trabalhos de busca e análise continuam sob forte vigilância. O mapeamento dos bunkers é um passo importante. Ele ajuda a entender a dimensão do que havia naquela propriedade e pode apontar novas linhas de investigação.

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