A Polícia Nacional do Paraguai investiga o sequestro e o assalto de dois brasileiros e um argentino registrados no bairro San Rafael, em Cidade do Leste. As vítimas não tiveram as identidades divulgadas pelas autoridades.
Um dos brasileiros, vítima do sequestro, relatou os momentos de terror vividos durante cerca de 18 horas em poder de uma quadrilha. O caso é investigado pela Polícia Nacional do Paraguai.
Segundo o relato da vítima, ele embarcou na garupa de uma motocicleta apenas para se deslocar pela cidade. Durante o trajeto, percebeu que o motociclista alterou o caminho inicialmente previsto. Quando notou que estava sendo levado para outro destino, a moto já estava em alta velocidade, impossibilitando qualquer tentativa de fuga.
Ao chegar a um local isolado, o jovem afirmou que foi cercado por cerca de dez homens armados, que o renderam e o levaram até um cativeiro às margens do Rio Paraná.
Conforme o relato, os criminosos fizeram ameaças de morte durante todo o período e o obrigaram a desbloquear o celular, fornecer senhas bancárias, realizar reconhecimento facial, utilizar a biometria e gravar vídeos com informações de acesso às contas. Segundo ele, uma pessoa acompanhava toda a ação por chamada de vídeo, orientando os integrantes da quadrilha sobre como realizar empréstimos, transferências e outras operações financeiras para retirar o maior valor possível sem despertar suspeitas das instituições bancárias.
O brasileiro também contou que, poucos minutos depois, uma segunda vítima foi levada ao mesmo cativeiro. Os dois foram mantidos durante toda a noite sob vigilância constante de aproximadamente 15 criminosos armados, que, segundo ele, consumiam drogas e se comunicavam em espanhol e guarani.
Ainda de acordo com a vítima, os criminosos aguardaram até o início da manhã para continuar as movimentações financeiras. Durante o período, foram feitas transferências via Pix, contratação de empréstimos, utilização do limite do cartão de crédito e retirada de todo o saldo disponível nas contas bancárias.
Além das movimentações financeiras, o jovem afirmou que teve R$ 1,5 mil em dinheiro levados, além do celular, documentos, cartões bancários, tênis, casaco, fone de ouvido, carregador portátil e mercadorias compradas no Paraguai, avaliadas em cerca de US$ 300.
Na manhã do dia seguinte, as vítimas foram obrigadas a caminhar por uma área de mata até um trecho navegável do Rio Paraná. Sob ameaça, embarcaram em uma lancha e foram deixadas na margem brasileira.
Após desembarcarem, caminharam por cerca de uma hora e meia em busca de ajuda até encontrarem um casal, que acionou a Polícia Militar. Os policiais prestaram atendimento às vítimas, registraram a ocorrência e as encaminharam aos respectivos hotéis.
O jovem ressaltou que todas as transferências, empréstimos, liberações por biometria e fornecimento de senhas ocorreram exclusivamente sob grave ameaça, sem qualquer possibilidade de reação. “Acreditei o tempo todo que seria morto”, afirmou.
A Polícia Nacional do Paraguai investiga o caso e trabalha para identificar os integrantes da quadrilha. As autoridades também confirmaram que outro brasileiro e um argentino foram vítimas do mesmo grupo criminoso.
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