O Plano Safra 2026/2027 entrou em vigor no dia 1º de julho com mais de R$ 610 bilhões destinados ao financiamento da produção agropecuária. Apesar de ser o maior volume de recursos da história, representantes do setor afirmam que o valor ficou abaixo do esperado e alertam para outro problema: a demora na liberação do crédito, que muitas vezes ocorre quando o plantio já começou.
O programa é a principal política de incentivo ao campo e oferece recursos para custeio da produção, compra de máquinas e equipamentos, investimentos em irrigação, armazenagem e melhorias nas propriedades rurais. Do total anunciado pelo Governo Federal, mais de R$ 525 bilhões serão destinados a médios e grandes produtores e cooperativas, enquanto mais de R$ 85 bilhões atenderão a agricultura familiar por meio do Pronaf.
Segundo entidades do setor, o aumento dos recursos não acompanhou a inflação. O analista técnico do Sistema FAEP, Anderson Sartorelli, explica que a expectativa era de um Plano Safra de R$ 670 bilhões para atender à demanda do agronegócio e da agricultura familiar, mas o valor anunciado ficou abaixo desse patamar.
A agricultura familiar continua concentrando o maior número de contratos de crédito. Entre julho de 2025 e maio deste ano, foram registradas mais de 2 milhões de operações para pequenos produtores. De acordo com Sartorelli, esse público depende de financiamentos com juros reduzidos, já que as taxas praticadas pelo mercado tornam o custeio da produção inviável.
Para o presidente da Sociedade Rural de Cascavel, Devair Bortolato, o maior desafio não é apenas o volume de recursos, mas o momento em que eles ficam disponíveis. Segundo ele, muitos agricultores precisam comprar insumos antes da liberação do crédito oficial e acabam recorrendo a outras formas de financiamento para não atrasar o plantio.
Outra preocupação do setor é a falta de definição sobre os recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. O orçamento ainda não foi anunciado pelo Governo Federal, e produtores aguardam uma definição rápida.
Representantes do agronegócio destacam que o seguro rural é essencial para proteger a atividade contra prejuízos provocados por seca, geada, granizo, excesso de chuva e outros eventos climáticos. Além de reduzir perdas, o mecanismo também ajuda o produtor a manter acesso ao crédito para os próximos ciclos de produção.
Sensação
Vento
Umidade