
“Esta exposição é um resgate do principal nome da cultura da cidade, um pintor que deu status de arte para a paisagem local, em uma estética primitivista, e que teve sua obra dispersa pelo mundo todo. A UEPG recupera a trajetória do pintor e, em breve, publicará um livro sobre ele. Cumprimos assim o nosso papel de fortalecimento da identidade local”, afirma o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, que participou da abertura da exposição.
O diretor de Assuntos Culturais da Proex, professor Nelson Silva Júnior, foi um dos curadores da exposição em conjunto com a chefe da divisão de Cultura e Arte, professora Patrícia Camera Varella. Ele disse que o processo de organização foi um mergulho em busca das obras que estavam em Ponta Grossa e foi possível reunir 17 trabalhos com colecionadores, amigos e parentes do João Pilarski. “A primeira grande exposição do Pilarski em vida foi em 1979 pela UEPG, ainda quando era o Centro de Criatividade”, comenta.




“A exposição evidencia os elementos que caracterizam sua produção: as paisagens dos Campos Gerais, as estradas, rios, plantações, capelas, animais, festas, cenas de pesca e do cotidiano rural, além do uso de cores intensas e de uma pincelada minuciosa. Ao mesmo tempo, procura mostrar como sua pintura ultrapassa a simples representação da paisagem para construir uma memória afetiva da cultura regional”, afirma a professora Patrícia. Segundo ela, a exposição pretende recolocar João Pilarski no debate sobre a arte brasileira. “Ao reunir as pinturas dispersas em diferentes acervos, a exposição mostra a relevância de sua trajetória para a consolidação da Arte Naïf paranaense, ampliando o seu reconhecimento que ainda permanece pouco conhecida pela historiografia das artes visuais”, finaliza.

Pela primeira vez uma exposição conseguiu reunir essas diversas obras de João Pilarski que estavam preservadas em coleções particulares e institucionais, fora do circuito expositivo há décadas. Umas das pessoas que pôde contribuir foi a professora da UEPG, Rosângela Wosiack Zulian. “Não lembro quando conheci João Pilarski. Mas lembro de quando ganhei esse quadro e do encantamento que produziu em mim. Comecei a perceber que dentre as diferentes linguagens da arte a pintura naïf carrega uma carga emocional que vai além do estético”, afirma.
Para ela, nesse vasto universo da criação artística, a memória afetiva ocupa um papel central, pois carrega histórias individuais e coletivas que delineiam nossa percepção do mundo. “Pinceladas são notas silenciosas como cantigas dos afetos, ou uma narrativa pincelada com paciência e paixão. Esse quadro me fala de singeleza, doçura, afeto. Como a memória de João Pilarski”, enfatiza.
Josélia Camargo da Cunha, sobrinha de segundo grau de João Pilarski, também prestigiou a abertura da exposição. Segundo ela, esse reconhecimento da obra do artista após mais de 20 anos é uma surpresa e uma alegria muito grande.




Já Sebastião Natalio, jornalista e artista plástico, conta que tinha uma ligação com João Pilarski desde a infância, pois eram vizinhos e moravam na mesma rua. “Sempre que passava em frente a casa dele via aquele senhor na maca, observando os passarinhos, jogando baralho com os amigos. Depois que fui saber que ele era artista também e isso me fascinou muito”. Após um período longe de Ponta Grossa, Natálio disse que retornou para cursar Jornalismo na UEPG no início da década de 90 e ai que se debruçou sobre a obra do artista e virou um amigo pessoal. “Para mim, João Pilarski está ali com Poti Lazarotto, Robona, Calderari, no mesmo patamar. Ele produziu obras belíssimas e acho o trabalho dele sensacional”, finaliza.
Serviço
Exposição João Pilarski: a Arte Naïf no Paraná
Data: de 30/06 a 10/09
Local: Galeria da Proex, Praça Mal. Floriano Peixoto, 129;
Texto: Tierri Angeluci / Fotos: Larissa Godoy





























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